De protagonista a coadjuvante: a representação da surdez no cinema contemporâneo

Marcos Medeiros Dantas, Fátima Inês Wolf de Oliveira

Resumo


Após a criação das leis de inclusão e acessibilidade e os esforços para garantir sua aplicabilidade junto à sociedade, a surdez passou a ser encarada como uma característica peculiar causada por fatores naturais ou acidentais, e não mais como distúrbio ou fenômeno de caráter pejorativo. Prova disso é a evolução de como os grandes meios de comunicação como o cinema vem retratando as personagens inspiradas em indivíduos acometidos por tal deficiência. O desenvolvimento do cinema implicou na transformação profunda na maneira humana de perceber a realidade criando novos meios de estabelecer relações entre as impressões dos sentidos e as ideias. Enquanto realidade reproduzida a partir de uma linguagem própria que articula imagem, palavra, som e movimento, a produção cinematográfica está circunscrita a um dado contexto histórico e os discursos produzidos passam pelos olhares da sociedade. Nessa perspectiva, o artigo mapeia e reflete sobre a forma como a surdez foi representada no cinema a partir da segunda metade do século XX até a contemporaneidade com destaque a análise da relevância da obra, dos gêneros fílmicos utilizados e da forma como tal representação se constituiu. Para os limites desse trabalho não foram considerados os filmes que abordam os distúrbios de fala, e que por vezes são tratados como sinônimos do quadro de surdez.                


Palavras-chave


Cinema; Surdez; Artes Visuais; Inclusão

Texto completo:

PDF

Referências


DESGRANGES, Flávio. A pedagogia do espectador. São Paulo: HUCITEC, 2003.

FERREIRA, Edjane Linhares. Surdez e identidade: a representação identitária do surdo na obra cinderela surda, 2014.

FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. 4 ed. São Paulo: Loyola, 1996.

HALL, Stuart. A centralidade da cultura: notas sobre as revoluções de nosso tempo. Educação e Realidade. V.22, n.2. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Educação, jul./dez., 1997.

HOBSBAWM, Eric. Era dos extremos: o breve século XX. São Paulo: Companhia das letras, 1995.

JOHNSON, Richard. O que é, afinal, Estudos Culturais? In: SILVA, Tomaz Tadeu. O currículo como fetiche: a poética e a política do texto curricular. Belo Horizonte: Autêntica, 1999.

LULKIN, Sérgio Andrés. O silêncio disciplinado: a invenção dos surdos a partir de representações ouvintes. Porto Alegre: UFRGS/FACED (Dissertação de Mestrado), 2000.

MACHADO, Paulo César. Movimentos sociais surdos e a educação: tecendo comentários sobre a proposição da abordagem bilíngue para surdos. In: LINHAS: Revista do Programa de Pós-graduação em Educação da UDESC. Florianópolis: PPG em Educação/UDESC, vol.6, nº. 2, 2005.

THOMA, Adriana da Silva. O cinema e a flutuação das representações surdas: “Que drama se desenrola neste filme? Depende da perspectiva...” Porto Alegre, UFRGS. (Tese de Doutorado), 2002

THOMA, Adriana da Silva. Olhares sobre a escola e a diferença surda na pedagogia do cinema. In: XVIII ENDIPE – Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino, 2006, Pernambuco/Recife. ANAIS do XVIII ENDIPE – Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino, p. 0-14. 2006.

THOMA, Adriana da Silva. A Afirmação da Diferença e da Cultura Surda no Cenário da Educação Inclusiva: desafios para o currículo. Estudos Culturais e Educação: desafios atuais. Canoas: ULBRA, p. 205-2016, 2012.

Filmografia

Amy: uma vida pelas crianças (Amy). Direção de Vincent McEveety. EUA: Walt Disney, 1981. 1 filme (91 min), son.,col.

Filhos do Silêncio (Children of a Lesser God). Direção de Randa Hainef. EUA: Paramount Pictures Corporation, 1986. 1 filme (118 min), son.,col.

Lágrimas do Silêncio (Bridge to Silence). Direção de Karen Arthur. EUA: VIC, 1988. 1 filme (95 min), son., col.

Gestos de Amor (Dove Siete? Io Sono Qui). Direção de Liliana Cavani. Itália: Flashstar Home Vídeo, 1993. 1 filme (109 min), son., col.

O Piano. (The Piano). Direção de Jane Campion. Nova Zelândia, 1993. (121 min), son., col.

Mr Holland: Adorável Professor (Mr Holland´s Opus). Direção de Stephen Herek. EUA: Flashstar Home Vídeo, 1995. 1 filme (140 min), son., col.

A Música e o Silêncio (Jenseits der Stille). Direção de Caroline Link. Alemanha: Europa, 1999. 1 filme (110 min), son., col.

Som e Fúria (Sound and Fury). Direção de Josh Aronson e Roger Weisberg. EUA: 2001. (60 min), son., col.

Querido Frankie (Dear Frankie). Direção de Shona Auerbace. Reino Unido: 2004. 1 flime (105 min), son., col.

Tudo em Família (The Family Stone). Direção de Thomas Bezucha. EUA: Twentieth Century Fox Film Corporation, 2005. 1 filme (106 min), son., col.

Babel. Direção de Alejandro González Iñarritu. EUA/México, 2006. 1 filme, son., col.

Sangue Negro (There will be blood). Direção de Paul Thomas Anderson. EUA: Miramax Films, 2007. 1 filme (158 min), son., col.

A Órfã. (Orphan). Direção de Jaume Collet-Serra. Canadá, França, Alemanha, EUA, 2009. 1 filme (123min), son., col.

Up – Altas Aventuras. (Up). Direção de Pete Docter. EUA: 2009. 1 filme (96 min), son., col.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


ISSN 1980-3575 Revista Interatividade © 2019 Firb Editora - Faculdades Integradas Rui Barbosa